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Compromissos desnecessários

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33Há pessoas que, por um exagero de sua boa vontade, multiplicam desnecessariamente compromissos, tarefas e afazeres, adicionando, aos seus deveres pessoais, familiares e profissionais, uma multidão de tarefas que não competem a elas.

O resultado é que, ao fim do dia, quando deveriam consagrar algum tempo ao merecido repouso e ao convívio com a esposa, os filhos ou os amigos, percebem que ainda têm uma lista enorme de tarefas a cumprir: contatar pessoalmente, pelo celular ou pelas redes sociais sete ou oito pessoas, localizar um texto do qual alguém está precisando para executar um trabalho de faculdade e, não raro, coisas ainda mais difíceis e trabalhosas. Como têm o mau hábito de prometerem auxílio até a quem não o solicitou, jogavam sucessivas cargas adicionais sobre as próprias costas e, depois, se atormentam por isso.

Solidariedade, cooperação e auxílio voluntário são condutas elogiáveis, mas, como tudo na vida, precisam ser exercidas com moderação e bom senso.

Há muitas coisas que as pessoas dizem estar precisando – uma ferramenta, um livro que desejam ler, um objeto qualquer – que elas próprias podem providenciar, desde que dediquem algum tempo a isso. Na maioria das vezes, você já está ajudando muito quando indica uma loja ou um site de internet ou alguém que pode auxiliá-las em sua busca.

Quando vai além disso e diz alguma coisa do tipo “tenho lá em casa, vou achar e mandar para você amanhã”, faz uma promessa que envolve a execução de várias ações num prazo determinado e transforma o que era uma tarefa do outro numa obrigação sua. Agora, vai ter que gastar tempo para achar alguma coisa que, muitas vezes, nem sabe bem onde se acha e arrumar um jeito de encaminhá-la à pessoa com quem se obrigou. A repetição dessa atitude acabará por sufoca-lo sob um monte de encargos que vão consumir o seu tempo e aumentar o seu nível de estresse.

Uma coisa fundamental, na vida de cada pessoa é aprender a cuidar de si mesma, solucionando, com seu próprio esforço e determinação, dos desafios que o dia a dia coloca à frente dela.

Segure suas palavras. Evite chamar a si as tarefas alheias. Use sua experiência para orientar outro, mas jamais faça as coisas em lugar dele. Assim se conduzindo, você o estará auxiliando verdadeiramente a crescer como pessoa e a aprofundar a própria responsabilidade.

Geraldo Bonadio
Jornalista